Época de Páscoa

ÉPOCA DA PÁSCOA

Queridos pais, antes de parar, estávamos começando com as crianças a vivenciar a época da Páscoa.

Segue um texto falando um pouco sobre essa época, histórias que estamos contando e outras indicadas, bem como músicas e atividades práticas para se fazer em casa. 

PÁSCOA (LEITURA PARA ADULTOS)

Todos os anos, na época do outono, num jardim Waldorf, as crianças começam a se preparar para vivenciar intensamente a primeira das quatro festas anuais, a Páscoa.

Elas cantam lindas músicas; ouvem atentamente histórias sobre a lagarta e a borboleta; pintam ovos com muitas cores; preparam, com a professora, deliciosas roscas e pães. Todos esperam ansiosamente o domingo de Páscoa, quando sairão em busca dos ovinhos, escondidos pelos cantos da casa e do jardim.

Nós, adultos, acompanhamos a alegria das crianças e inevitavelmente nos transportamos para as nossas próprias recordações de infância.

A Páscoa é uma festa repleta de imagens fortes e marcantes. Porém será que temos consciência do que há por trás destes símbolos? Será que sabemos nos preparar internamente para este momento tão importante? Para nós, a festa da Páscoa ocorre no outono.

Antigamente, porém, ela acontecia apenas no hemisfério norte, na época da primavera, num período de Europa pagã, quando as pessoas ainda se encontravam à mercê das forças da natureza. Naquela época, sobreviver ao rigor do inverno era um grande desafio, pois muitas vezes os alimentos eram escassos, as vestimentas ineficientes e os abrigos rudimentares.

Desta forma, todo ano, sobreviver ao inverno e chegar à primavera era motivo de grande celebração.

Os antigos rendiam cultos em homenagem à primavera, às deusas da fertilidade. Era nesta época do ano que a vida recomeçava, as cores retornavam, tudo desabrochava. Era a vitória da vida sobre a morte.

Num período posterior, as culturas judaica e cristã acabaram por absorver estas festividades pagãs. Para os judeus, as comemorações da Páscoa têm uma importância fundamental dentro de suas tradições, pois se remetem ao período em que o povo hebreu sofreu os flagelos da escravidão no Egito. A libertação ocorreu quando Moisés desafiou o faraó e conduziu seu povo rumo à Terra Prometida.

Em hebreu, esta passagem da morte/escravidão para a vida/libertação chama-se PESSACH, de onde vem a palavra Páscoa. Neste fato histórico, mais uma vez ocorreu a vitória da vida sobre a morte. Na tradição cristã, a Páscoa novamente ocupa uma importância fundamental.

Após os quarenta dias da quaresma e depois de refletir sobre os acontecimentos vivenciados por Jesus Cristo durante a Semana Santa (domingo de ramos, condenação da figueira, encontro com adversários no templo, unção, santa ceia, morte, descida ao reino dos mortos e ressurreição), os cristãos comemoram, no domingo de Páscoa, a glória da ressurreição de Cristo.

Com sua paixão, morte e ressurreição, Cristo deixou-nos o precioso legado de uma nova vida após a morte, e quando seu corpo e sangue penetraram no mundo das profundezas, seu espírito possibilitou que a Terra, como um todo, se tornasse um novo centro de luz. 

Nos dias de hoje, vivenciamos a Páscoa através dos olhos das crianças. Num jardim de escola Waldorf, elas entram em contato com o sentido espiritual da Páscoa através de imagens. Contos de fadas como Chapeuzinho Vermelho, O Lobo e os Sete Cabritinhos, entre outros, abordam a vitória da vida sobre a morte.

Porém as imagens que mais claramente se vinculam à ideia de vida, morte e ressurreição são as da lagarta, do casulo e da borboleta. A lagarta é um ser que se arrasta pelo solo, pesado, lento.

Quando já se alimentou o suficiente, fecha-se num casulo, onde morre para renascer como uma linda, leve e clara borboleta. O coelho e os ovos também possuem um significado especial nas comemorações pascais. 

O ovo representa uma vida interior, ainda em estado germinal, que se desenvolve, rompe uma casca dura e em seguida desabrocha em sua plenitude, assim como Cristo ressurreto saiu de sua tumba.

O ovo é como um germe de esperança para anova vida, porque o ovo e puro futuro, é o início de uma esperança. É também um símbolo da imortalidade e eternidade.

O coelho, por sua vez, representa um animal puro, que não agride. Desta forma ele é digno de carregar e trazer os ovos da Páscoa.

Além disso, é um animal muito fértil, que se reproduz com facilidade. Neste aspecto podemos encontrar ainda resquícios daqueles antigos cultos pagãos, que veneravam a fertilidade. 

O coelho e o ovo, qual a relação? O coelho não bota ovo, na verdade ele traz e esconde. Esse coelho é invisível, ninguém poderá vê-lo. Se vemos alguma orelhinha, é um ajudante dele. Na verdade, o coelho da Páscoa é uma lebre.

A diferença é que a lebre é um animal que pode viver em qualquer lugar, o mundo é sua casa e o coelho precisa de cuidados, precisa de gente, de uma casa.

A lebre tem altruísmo, se sacrifica pela outra, quando uma está sendo perseguida, morre por outra e isso acontece de forma inconsciente e instintiva.

Estão constantemente em movimento, não fazem mal ao outro, mesmo sendo ameaçada, não irá se defender, é muito humilde e a única coisa que faz é fugir e correr.

Enquanto a lebre faz esse caminho inconscientemente, o homem pode fazê-lo conscientemente. Este é o caminho para o Cristo.

Em poucas semanas comemoraremos mais uma Páscoa. Na maioria das vezes, não vivenciamos a possibilidade de deixar morrer em nós o que não queremos mais, o que já não nos serve, e não permitimos que o novo em nós possa florescer.

Porém, todo educador (pais e professores) deveria ter claro dentro de si a possibilidade da vida, morte e ressureição em hábitos, atitudes e modos de pensar, para tornar-se uma pessoa cada vez melhor, menos endurecida e insensível diante da realidade atual, com seus constantes altos e baixos. 

Se tivermos consciência da necessidade de cada um realizar este exercício interior, poderemos preparar coerentemente nossas crianças para a época da Páscoa e apresentar a elas símbolos repletos de significados. 

Só assim resgataremos o real sentido da Páscoa. 

 As festas do ano são acontecimentos importantes na vida e no ritmo das crianças e mesmo do adulto. Se tentarmos nos lembrar de nossa infância, as festas parecem pequenas pedras preciosas em nossas vidas.

A criança vivencia-as de uma forma direta e simples, pois participa com todo o seu ser. Sua alma fica satisfeita pela repetição anual das mesmas experiências, da chegada “novamente” de uma época, com as mesmas canções, as mesmas histórias, a casa decorada sempre do mesmo modo.

Esperar, preparar e festejar uma festa produz na criança alegria e felicidade. Desperta nelas um sentimento de admiração, veneração, entusiasmo e gratidão para com a vida.

A alegria vivenciada pela criança em sua infância traz leveza para seu corpo, metamorfoseando-as em forças para enfrentar e vencer as dificuldades que surgem na vida adulta futura.

MATERNAL

PEQUENA HISTÓRIA E MÚSICAS VIVENCIADAS COM OS PEQUENOS

De manhã o sol levanta
Acorda o lindo girassol
A violeta ainda está sonhando
Mas logo chega um raio de sol

MÚSICAS

1- Música:

Acorda, acorda, linda florzinha,
O dia já raiou, o galo já cantou,
E todas as flores enfeitam o campo de cores.
O beija-flor numa plantinha chegou
Mas logo se assustou!
Pois uma lagarta peluda e gordinha
Subia na plantinha com mil perninhas.
Comeu uma folha, duas, três,
Comeu tão depressa, nem pausa ela fez.

2- Música:

Lagarta arrasta-se no chão
Comendo folhinhas de montão
Come, come e não pára não.
Mas um dia a lagarta parou
Pois com muito sono ficou.
Num galho alto ela se segurou
E num casulo se enrolou.
O sono era tão profundo
Que para ela acabou-se o mundo.
Parecia até que a lagarta morreu
Pois nenhum sinal de vida mais deu.
Passou-se o tempo e um belo dia
A lagarta tão leve se sentia.
É que um grande milagre aconteceu.
Uma linda borboleta da lagarta nasceu!

3- Música:

Borboleta azul,
voa pelos campos,
campos multicores cheio de flores voa pelos ares no azul do céu, brinca com o vento como um véu.

4- Música:

Olha só como a lagarta vai andando se arrastando e no escuro do casulo vai se enrolando e quando o sol vem despertar uma linda borboleta.
Vai voar e de flor em flor ela vai passear

BRINCADEIRAS

  1. Fazer casulos, ou lugares aconchegantes.

  2.  Coelhinho na toca
    Estava sentado, estava doente,
    Pobre coelhinho está com dor de dente.
    Por que você não pula mais?
    Coelhinho pulou, coelhinho pulou. (troca de toca)
  3. Era uma vez uma lagartinha
    Que encontrou quatro folhinhas
    Uma ela mastigou
    A outra ela engoliu
    A outra ela triturou
    E a outra ela devorou.
    Veio um raio de sol e a enrolou
    Veio a chuva
    Veio o vento
    Veio outro raio de sol e a acordou
    Êpa, duas anteninhas!
    Êpa, duas asinhas!
    E numa linda borboleta a transformou.
    E voou, voou, voou.

HISTÓRIA

O Coelhinho Jovem (Jacob Streit)

Apenas sobrou para a mãe um filhote dos três coelhinhos. O mais velho, a gralha levou; o segundo afastou-se e uma raposa mordeu-o e dilacerou-o.

Restou-lhe o mais jovem e menor. Este nunca poderia se afastar do lado da mãe, pois ela não o queria perder também. A mãe dormia com ele no colo e o cobria com mantas.

Quando ela comia graminha, estava ele a sua volta. Era meio arisco; assustava-se no riacho da mata quando lhe pingava uma gota d’água no nariz. Ainda não bebia água nem comia grama: mamava o leite materno da coelha, quando estava com sede e sentia fome. Seu ninho era numa moita no mato, bem escondido.

A mãe havia ciscado uma depressão na terra e levado folhas e musgos, e de seu próprio pelo arrancava pelinhos para estofar o ninho. Quando saia do esconderijo sozinho, cobria o filhote cuidadosamente e lhe dizia:

– “Não me saias do ninho! Quando se aproximar um animal finjas que estás morto”.

Um dia, quando a mãe saiu, o coelhinho dormiu por algum tempo, mas quando acordou, sentiu tédio. Escapou do ninho, deu alguns pulinhos e promoveu-se cada vez mais. Pensou:

– “Ainda vai demorar muito para mamãe voltar. Eu, hoje, darei também um passeio”. Alegremente pulou da moita e foi pulando pelos musgos entre os pinheiros.

De repente, parou, pois diante de seus pés se movimentava uma lesma marrom. Com seus chifrezinhos estendidos tateava o caminho.

O coelhinho esticou o pescoço para ver melhor e nisso seus pelos compridos da boca, nela tocaram que rapidamente recolheu suas antenas. O coelhinho deu risada:

– “Oh, arrastador medroso, que te deixas assustar com um pelinho macio”!

Abandonou a lesma e pulou adiante. Ao pular por cima de uma raiz de árvore percebeu duas formigas no mato, que se esforçavam para arrastar um besouro morto em direção a um monte de terra cravejado de formigas.

Naturalmente o coelhinho ficou olhando para aquela confusão. Não percebeu que se havia sentado em cima de algumas formigas passadeiras e não tardou muito para que elas penetrassem em seus pelos.

Umas subiam pelas costas e outras já chegavam até as orelhas. Enquanto elas só fuçavam seu pelo, o coelhinho nada percebeu, mas de repente, se assustou com as fortes mordidas em suas orelhas grandes.

Passou a patinha para se defender, mas logo outras aproveitaram para mordê-lo em outras partes do corpo e o coelhinho sentiu, então, um forte ardume se espalhar pelo corpo todo. Com pulos bem fortes o coelhinho pulou pelos ares e rodopiou.

Mas os mordedores estavam presos em seus pelos. Tonto de tanta dor saiu, correndo pela floresta a fora. Sem fôlego parava de vez em quando para se coçar e abocanhar as formigas em seus pelos. Assim, aos poucos foi se libertando dos terríveis mordedores. Mas, para onde havia corrido? Árvores desconhecidas estavam em sua volta.

Andou para lá e para cá, mas nada conhecia; não encontrava o caminho de volta ao ninho. Andava sem parar. Já escurecia. Gotas d’água caiam de cima.

De repente, ribombou por cima das árvores. Um clarão flamejou. O pavor do coelhinho cresceu quando percebeu que os pássaros procuravam seus ninhos, cheios de medo. Começou a tremer e pensou:

-“Que monstro horrível será este que ruge tão alto?”

Sobre a floresta descia um temporal. O coelhinho enfiou-se numa gruta que se abria por baixo de uma raiz muito antiga. Seu coração palpitava que parecia arrebentar.

Assim parado, viu a sua frente deslizar calmamente uma lesma que não tomava conhecimento da chuva nem dos trovões. Quando o coelhinho a avistou, perguntou bem baixinho:

-“Lesma, diga-me, que fantasma negro é este que ruge tão horrivelmente e lança fogo”?

A lesma respondeu:

-“É o pai relâmpago e trovão, e o menino travesso, o vento. Este sacode as árvores e arbustos para crescerem mais rapidamente.

A mãe nuvem despeja sua chuva sobre as raízes secas.

O pai relâmpago manda o fogo forte para a Terra, para mantê-la viva e fresca”.

Mal a lesma transmitiu sua sabedoria ao coelho, um relâmpago atingiu uma árvore próxima.

O coelhinho deu um salto para fora da gruta e ficou deitado como morto; a chuva que agora atravessava por todas as folhas, agora encharcou seu pêlo de tal modo que não sobrou um fio seco sequer.

A lesma não mexeu seu galinho, pois deslizava mais facilmente em raiz molhada e isto a alegrava. Finalmente passou a tempestade. A chuva cessou e os trovões desapareceram. Antes da primeira chuva cair, a mãe coelha voltou ao ninho e o encontrou vazio.

Procurou em vão, mas não conseguiu encontrar seu filhote. Tomada pelo medo, começou a cheirar o chão e percebeu que seu filhote fugira de casa. Seguiu então em zigue-zague pela floresta apesar da tempestade.

Finalmente chegou a gruta da raiz onde seu filhote havia estado, mas ele não estava mais ali. Mas, aquele ali adiante, perto das pedras, não era o seu filhote?

Pulou até lá e viu que ele estava deitado, como morto, de medo. Lambeu carinhosamente a cabecinha e as orelhas do coelhinho. Este abriu bem seus olhinhos e disse:

-“Mãe, estás aqui?”, e com um salto, pulou para o colo da mãe.

A mãe não o repreendeu. Lambeu seu pelo encharcado e amamentou-o. Só então conduziu o filhote de volta ao ninho através da noite escura. No ninho, que estava molhado, os dois se acomodaram bem juntinhos e antes de adormecer, o coelhinho disse:

-“Mãe, lesmas são gozadas. Não tem medo de trovão nem do relâmpago, mas tem medo do pelo do coelho”!

RODA RÍTMICA 

Segue duas músicas vivenciadas na roda rítmica das crianças. Enviaremos áudios e link de vídeo com as músicas. 

1- Música: Com a luz do sol

Com a luz do sol eu vou me aquecer mesmo que o vento sopre para dizer.

Folhas vão caindo, o outono vem vindo, a mãe terra canta novo amanhecer e o Cristo Sol que vem a Páscoa nos trazer 

Em meu ser vai nascer uma luz tão bela.

2- Música: Lagarta comilona. 

Nhoque, nhoque, nhoque, come muito a lagarta, nhoque, nhoque, nhoque, come muito a lagarta, nhoque, nhoque, nhoque come muito a lagarta, 

Vai ficando grande, vai ficando enorme vai ficando imensa e gigante a lagarta.

Depois vai morar em seu casulo……

Uma asa pra cá uma asa pra lá virou uma borboleta.

Voa, voa, voa, voa borboleta, voa, voa, voa, voa borboleta. 

BRINCADEIRAS

 Borboleta toda branca voa, voa, não se cansa, voa pra lá, voa pra cá, voa para o jasmim.

ATIVIDADES PLANEJADAS PARA ESSA ÉOICA

1- Plantar – milho na primeira semana e depois Girassol

As crianças semearão sementes que brotam rapidamente, vivência de enterrar o grão que renasce, que inclui as qualidades da esperança e da confiança. (cuidar e acompanhar o crescimento) 

2- Separar casca de ovos de galinha.

As crianças podem ajudar na higienização e depois de secos semana seguinte na pintura desses ovos. Quando for usar os ovos fazer uma abertura pequena, depois limpa a casca com água e vinagre. Colocar para secar. 

Segue várias dicas para pintura dos ovos.

3- Fazer lagartinhas para em pendurar em alguma planta na casa. (durante a época da pascoa no jardim, essas lagartas entram em casulos e depois na última semana vão se transformando em borboletas. 

Basta pegar um graveto ou palito de picolé ou até mesmo um pedaço de feltro e enrolar linha nele formando uma pena lagarta.  

Borboleta Waldorf

Segue palitinhos para fazer e alguns pedacinhos de feltro e lã.

Borboleta Waldorf

4- Fazer transparência para janelas. Com papel seda.

Para decorar janelas e portas de vidros ou mobiles em lugares que tem luz.

5- Decoração com ovos. 

6- Fazer pães e biscoitos temáticos na semana da páscoa.

 Ê importante que cada família resgate o que vivenciam nessa época, músicas comidas e como eram ou é esse preparo. 

VERSO 

Sete Cores

Sete cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata

O sol tão resplandecente
Ilumina a floresta
E a lagarta lentamente
Do casulo se liberta

Ela agora é borboleta
E feliz põe-se a voar
Para as suas lindas cores
No arco-íris misturar

Voa, voa borboleta
Dando vida à floresta

Quer realizar a Pedagogia Waldorf em sua casa?

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