Época de inverno e São João

Fazendo uma retrospectiva da época anterior, no outono observamos um céu mais azulado e muitas folhas, de tamanhos variados, colorações vermelho-alaranjadas e sementes caídas pelo chão.

Um ventinho suavemente frio no final da tarde, convidou nossa criança a brincar com esses elementos da natureza, seja contemplando a dança das nuvens, dos pássaros, dos móbiles, seja extraindo pigmento vegetais para pintar livremente.

Nesse clima agradável tanto para o brincar dentro como fora, vivenciamos Pentecostes e a descida do Espírito Santo a envolver e unir todos os povos.

Mesmo fisicamente distantes – casas, bairros, cidades, país ou cultura -, se afinados nas mesmas metas e propósitos imbuídos de preciosas virtudes, poderemos sempre nos compreender independente de língua, costumes e idade.

Desde nossas casas, tivemos (e sempre teremos) a oportunidade de nos movimentar em ações colaborativas, ricas em gestos de fraternidade, que contribuem não só para a atmosfera do próprio lar, mas podem se estender por toda parte, como boas sementes de um tempo novo.

Não importa se são grandes ou pequenas ações, todas são especiais, pois não existe amor pequeno nem amor grande: existe o amor. E o amor é bom, belo e verdadeiro. 

Irmanados nesse amor, estaremos bem preparados para entrarmos numa outra época: o inverno.

Nessa época, a terra se endurece e a água em lugares mais frios se cristaliza. É tempo de concentrar, de contrair.

A terra inspira e recebe nela a sabedoria espiritual, abriga as sementes e frutos, que são as dádivas ofertadas pela natureza no outono.

Assim também acontece conosco, onde as qualidades encontradas na natureza são propícias ao nosso recolhimento e ao caminho interior. 

COMEMORANDO SAO JOAO 

Para a maioria de nós, as festas juninas têm um lugar muito especial no coração. Ano após ano chegam nos trazendo alegria, comidas típicas, brincadeiras, dança, música e muita diversão.

Desde criança celebramos junto a família e amigos, com direito a uma boa fogueira,  muito milho, balões no ar, bandeirinhas e, se possível for, sob um céu  estrelado.

Quantas boas lembranças temos, não é? Das vivências na  escola, na casa dos avós, nos espaços rurais…  Esse ano tivemos uma surpresa.

Com a necessidade de quarentena,  temos passado os últimos feriados e comemorações em casa, sem nos reunirmos fisicamente com o nosso círculo social maior.

Tudo indica que assim também será com os festejos juninos, eventos que até então estávamos acostumados a celebrar em expansão, ao ar livre e com bastante contato humano. Essa época tão esperada do ano!

agora como iremos fazer, uma vez que não estaremos juntos como nos últimos anos? Somos convidados a vivenciar de outro modo.

Que ingrediente novo podemos encontrar? Para inspirar, vamos falar daquele a quem comemoramos, ou seja, daquele que é lembrado por nós nesta época: São João. 

João surge do deserto como um divisor de águas. É considerado como o último representante do antigo testamento. Embora representasse o velho tempo, ele apontava para uma nova era e uma nova humanidade.

Nas águas do rio Jordão, ele batizava as pessoas num ritual de renascimento e purificação: morrer para a velha existência e nascer para uma nova consciência.

Desta forma, preparava o caminho para a chega do Cristo na terra. Quando Este chegasse, ele sabia que diminuiria para que o Cristo crescesse.

Dizia que batizava com água, mas Aquele que viria batizaria com Fogo e Espírito. E assim, ao batizar seu primo Jesus, aconteceu o milagre da encarnação do Ser Solar Cristo, inaugurando enfim a nova consciência profetizada por João. 

Este momento revela uma grandeza, uma chama que aquece e purifica o nosso interior. Trata-se, portanto, de uma grandeza que só em contato profundo com nosso interior podemos encontrar.

Nesse sentido, viver essa época de maneira mais introspectiva, inspirados pelas qualidades do inverno, encontramos um terreno propício para esse mergulho em busca da nossa própria transformação. 

Texto escrito pela professora Isabella Maia, inspirada por Emil Bock, em “A Ciranda das Festas Cristãs”, e palestra gravada de Ana Paula Cury sobre a Época de São João. 

FESTA DA MENINA DA LANTERNA 

A festa da Menina da Lanterna tem origem Europeia e foi introduzida no Brasil pela Escola Waldorf de São Paulo.

É uma festa que nos prepara para a chegada do inverno e um período de recolhimento e quietude da natureza. Nessa atmosfera, trilhamos um caminho para dentro, em busca da luz que vive em nosso interior. 

Na escola, preparamos (pais, professores e crianças) lanternas de formas, cores e desenhos variados. Contamos para as crianças a história da Menina da Lanterna diariamente e trazemos também algumas canções relacionadas, ricas em imagens que conduzem para o encontro com a luz interior e a oferta dessa luz ao mundo.

Em um dia previamente marcado no calendário, acontece a festa. No entardecer, assistimos a um teatro da história – realizada já por crianças, pais e alunos egressos.

Em seguida, após o sol se pôr, fazemos uma linda roda para acender as lanternas, e conduzimos as crianças por uma trilha, auxiliando-as a carregarem com cuidado a sua luz, nesse caminho que vai escurecendo gradualmente.

Entoamos juntos as canções aprendidas, até chegarmos no espaço onde mais um círculo é formado e ali acendermos uma luminosa fogueira, representado a união da chama interior de cada um. Finalizamos compartilhando uma ceia bem calorosa. 

Para esse ano, na impossibilidade de realizarmos esse encontro presencial, tivemos a ideia de enviar para as famílias o material para confecção das lanternas e marcamos uma data em comum para celebrarmos esse dia, desde as nossas casas, com um jantar à luz das lanternas, após a história ser contada e as músicas entoadas.

A seguir, disponibilizamos algumas dicas e inspirações. 

HISTORIA 

A MENINA DA LANTERNA 

Era uma vez uma menina que carregava alegremente sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento e com grande ímpeto apagou a lanterna da menina. 

Ah! Exclamou a menina. – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém. 

Apareceu, então, uma animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço. 

Querido ouriço! Exclamou a menina, – O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna? 

E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir pra casa cuidar dos filhos. 

A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava. 

Querido urso, falou a menina, – O vendo apagou a minha luz.  

Será que você não sabe quem poderá acender a minha lanterna? E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar. 

Surgiu então uma raposa, que estava caçando na floresta e se  esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu-a e mandou que voltasse pra casa, porque a menina espantava os ratinhos. Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou. 

Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram pra ir perguntar ao sol, pois ele concerteza poderia ajudá-la. 

Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho. 

Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha. 

– Bom dia querida vovó – disse ela 

– Bom dia, respondeu a velha. 

A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la porque ela fiava sem cessar e sua roca não podia parar. Mas pediu a menina que comesse alguns biscoitos e descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna a continuou a caminhada. 

Mais pra frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta a cumprimentou-o. Perguntou, então se ele conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela procurá-lo.

Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que o caminho era longo.

menina entrou e sentou-se para descansar. Depois pegou sua lanterna e continuou a caminhada. 

Bem longe avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima – pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa.

No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem responde. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos. 

Então a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. 

Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol. 

– Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra. 

Como estivesse muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu. 

O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna. 

Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou. 

– Oh! A minha lanterna está acesa! – exclamou, e com um salto pôs-se alegremente a caminho. 

Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram então a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente. 

A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste na sua oficina. 

Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e  suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do artesão, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar seus sapatos. 

A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo sua roda girou, fiando, fiando sem cessar. 

Depois de algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante. Assim a menina voltou feliz para sua casa. 

FAZENDO AS LANTERNAS 

Escolhemos alguns modelos para inspirar. 

Tutoriais: 

MUSICA 

Eu vou com a minha lanterna
E ela comigo vai
No céu brilham as estrelas
Na terra brilhamos nós
A luz se apagou
Pra casa eu vou
Com a minha lanterna na mão

*************

Minha luz vou levando
Sempre dela cuidando
Se alguém precisar
Dela posso lhe dar

*************

Lanterna, lanterna…
sol, lua, estrelinha
O ventinho vai
O ventinho vem
Mas não apaga
a lanterna de ninguém

*************

Sobe a chama, sobre a chama
Mais alto, mais alto
Ilumina, ilumina
Nossas vidas, nossas almas.

HISTORIA DA JULIANA (SILVIA JENSEN) 

Era uma vez uma menina chamada Juliana. Ela morava com seu pai e sua mãe numa casinha perto da floresta. Juliana tinha muitos amiguinhos e muitos brinquedos. O seu brinquedo preferido era um lindo balão azul. Ela o levava para o quintal e jogava o balão para cima e ele caia para baixo; jogava para cima e ele caia para baixo.


Mas certo dia veio o vento sul, que havia comido muito e por isso estava muito forte e levou o balão da Juliana lá para cima, no céu. Enquanto o balãozinho subia, os passarinhos cantavam:

“Sobe, sobe, balãozinho
Balãozinho multicor
Vai se mais uma estrelinha
A alegrar Nosso Senhor”

E Juliana viu seu balão subindo, subindo, e este balão tinha um brilho especial que irradiava do coração de Juliana. Todas as noites ela olhava pela janela do seu quarto e o balão piscava lá no céu. No fundo do seu coração, Juliana sentia saudades do seu balão azul.

Certo dia, ela foi passear na floresta e encontrou um anãozinho de touca vermelha que trabalhava: toc, toc, toc!

Juliana chegou perto dele e perguntou:

– Anãozinho, você acha que meu lindo balão azul vai voltar um dia?

– Ah, espere a noite mais longa do ano chegar, e ela lhe trará uma surpresa! Juliana correu para casa e perguntou à sua mãe, quando seria a noite mais longa do ano. E sua mãe respondeu:
– espere os dias ficarem mais frios, as noites mais longas e o céu mais estrelado, e quando os anõezinhos acenderem sua fogueira lá montanha, esta então será a noite mais longa do ano, a noite se São João.

Juliana olhava todas as noites pela janela para ver se os anõezinhos haviam acendido a grande fogueira, e nada acontecia.

Certa manhã Juliana acordou sentindo muito frio, vestiu casaco de lã, meia, luva, gorro e quando a noite chegou, o céu estava todo estrelado e lá longe ela avistou uma pequena chama, lá na montanha dos anõezinhos. Ela apurou bem seus ouvidos e escutou:

“Sobem as chamas, sobem as chamas
Mais alto, mais alto,
Iluminam e alegram
Nossas vidas nossas almas”

E lá do alto do céu ela viu algo brilhante descendo, e os passarinhos cantavam:

“Cai, cai balão, cai, cai, balão,
Na rua do sabão.
Não cai não, não cai não, não cai não,
Cai na mão da Juliana”

IDEIAS PARA CELEBRAR SAO JOAO EM FAMILIA 

É verdade que as festas juninas, esse ano, serão bem diferentes de todos os outros.

Ao invés de bastante gente reunida, viveremos essa época de maneira mais discreta, íntima e caseira, mas podemos criar momentos gostosos e aproveitar bem.

Por onde começar?

Nossa sugestão é ir preparando a casa, decorando, enfeitando… Cortar bandeirinhas com as crianças e montar um colorido varal.

Fazer móbiles de balõezinhos juninos vai deixar a casa cheia de alegria e beleza.

Podemos também relembrar as músicas que mais gostamos nessa época e, diariamente, cantá-las.

Cozinhar as suas comidas típicas preferidas e, assim, aquecer bem a casa com o calor do fogo e das próprias mãos. Relembrar brincadeiras, como boliche de latas, pescaria, etc. 

MUSICAS 

O balão vai subindo
Vai caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
São João, São João

Acende a fogueira do meu coração

***

Capelinha de Melão
É de São João
É de cravo, é de Rosa
É de Manjericão
São João está dormindo
Não acorda, não!
Acordai, acordai,
Acordai, João.

***

Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão
E o balão ia subindo
Pelo azul da imensidão

***

Cai cai, balão (2x)
Aqui na minha mão
Não cai não (3x)
Cai no meio do salão

RECEITAS 

PAÇOCA

INGREDIENTES 

  • 1 xícara (chá) de amendoim torrado e sem pele 
  • 1 pitada de sal e açúcar a gosto Rendimento 8 paçocas no tamanho padrão (estilo rolha). 

MODO DE PREPARO 

  1. Em um liquidificador ou processador, bata bem o amendoim; 2. Desligue de vez em quando e mexa, com um o auxílio de uma 

colher, para que triture tudo por completo; 3. Adicione o açúcar e sal e triture mais um pouco; 4. Coloque em um recipiente. Agora é hora de botar a mão na massa! Com as pontas dos dedos vá apertando a mistura. O calor das mãos fará com que o amendoim solte seu óleo; 5. Vá fazendo isso até perceber que ficou com consistência de modelar; 6. Espalhe a massa numa fôrma e corte em quadrados. Pronto! 

CALDO DE MILHO 

INGREDIENTES 

  • 5 espigas de milho 
  • 1/2 cebola ralada 
  • sal a gosto e se preferir, adicione salsa e coentro. 
  • 2 colheres de sopa de margarina 
  • 1/2 litro de agua 

MODO DE PREPARO 

  1. bata o milho no liquidificador; 2. coloque na panela com o fogo baixo, a margarina e a cebola e 

deixe dourar; 3. acrescente o milho e os temperos e a água; 4. deixe cozinhar por 10 minutos e está pronto. 

BOLO DE MACAXEIRA

INGREDIENTES 

  • 400g de macaxeira crua 
  • 150g de queijo coalho 
  • 60g de coco seco 
  • 200g de açúcar 
  • 90g de manteiga sem sal 
  • 4 ovos 
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

MODO DE PREPARO 

  1. Pré-aqueça o forno a 180 graus;
  2. Coloque todos os ingredientes no processador e triture até ter uma massa cheia de pedaços pequenos;
  3. Unte uma forma com manteiga e açúcar;
  4. Coloque a massa e asse a 180 graus por cerca de 30 minutos

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