Pedagogia Waldorf

A Pedagogia Waldorf

Os desafios do mundo contemporâneo vêm mostrando que os modelos de ensino e aprendizagem tradicionais não estão sendo capazes de acompanhar as crescentes necessidades de transformação. A educação atual, essencialmente focada na fixação de conteúdos e no estímulo à competitividade, vem colaborando para a criação de um exército de jovens incapazes de agir na direção das mudanças que o mundo exige, por serem incapazes de entender o universo e a si mesmos em toda sua complexidade.

Nesse contexto, a pedagogia Waldorf pode ser a resposta para muitos problemas atuais. Essa forma de ensinar e aprender entende o indivíduo como um ser não apenas intelectual, mas com aspectos anímicos, motores e sensoriais que precisam ser desenvolvidos para que o ser faça com que desabrochem todas as suas potencialidades.

É impossível falar da pedagogia Waldorf sem que se explique
quem foi Rudolf Steiner. Steiner era austríaco, nasceu no ano de
1861 e foi o criador da Antroposofia, a qual tem como fundamento o conhecimento do ser humano em sua integralidade. A primeira escola Waldorf foi fundada no ano de 1919, na cidade de Stuttgart, na Alemanha.

A pedagogia tem seu alicerce na Antroposofia, uma filosofia que procura significar “o conhecimento do ser humano”, pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo.

Desde sua origem a pedagogia se diferencia pela proposta pedagógica, ela busca o desenvolvimento integral humano, observando o desenvolvimento do homem como meio de condução das necessidades de cada fase na vida escolar.

Ela atua no desenvolvimento físico, anímico e espiritual do aluno (Steiner,1996), incentivando o querer (agir) por meio da atividade corpórea, o sentir na constante abordagem artística e o pensar cultivado desde a imaginação, por meio dos contos de fadas, até o pensar abstrato e científico no ensino médio.

A educação de uma criança pequena, no primeiro setênio, ou seja, até sete anos, também atua com uma observação da trimembração humana, do querer, sentir e do pensar.

A criança aprende com todo o corpo, o aprendizado é conduzido principalmente pela imitação, a imitação do adulto, pois acredita-se que todo processo de aprendizado passa pelo contato humano e um ambiente adequado ao seu desenvolvimento e na construção de ritmo. Um ritmo saudável, que consiste em acontecimentos que se repetem, promovendo segurança e confiança na criança.

Como não poderia deixar de ser, a pedagogia colocada em prática por Steiner estava completamente alinhada à Antroposofia e sua visão abrangente do ser humano. Assim, criava-se uma nova forma de educação, que respeita o ritmo de desenvolvimento de cada criança, valoriza a liberdade e busca trabalhar não apenas o intelecto de cada indivíduo, mas também aspectos emocionais, sensoriais e anímicos, além de habilidades manuais e artísticas, preparando assim a criança para que cresça como um ser integralmente saudável, sensível, desenvolvido e capaz de alinhar de forma harmoniosa seus pensamentos, quereres e sensações.

O QUE SAO SETENIOS?

A pedagogia Waldorf ancora-se na Teoria dos Setênios, oriunda da Antroposofia, que divide a vida em nove períodos de sete anos, que correspondem a ciclos de desenvolvimento.

O primeiro ciclo vai dos zero aos sete anos, e corresponde à
educação infantil, fase em que a criança está em franco desenvolvimento motor, descobrindo o próprio corpo e o mundo que a cerca.

Nessa fase, a criança deve estar livre e interagir profundamente com o universo. Há enorme estímulo às brincadeiras, atividades ao ar livre e tudo aquilo que permita à criança ampliar suas percepções de mundo, sensações e limites. 

A educação Waldorf preocupa-se não apenas em instruir intelectualmente os estudantes, mas sim prepará-los para a vida, permitindo assim que os indivíduos desenvolvam todas as suas potencialidades e se tornem pessoas capazes de atingir seus reais propósitos, contribuindo para o desenvolvimento do mundo como um todo. Respeita-se o ritmo normal de desenvolvimento da criança, para que não se pulem etapas, o que poderia ser  prejudicial à formação do indivíduo.

Com base nas peculiaridades de cada setênio, os processos de ensino e aprendizagem se desenrolam tendo como foco o desenvolvimento da imaginação, da liberdade e da capacidade de alinhar sentimentos, pensamentos e ações.

Não devemos perguntar o que o ser humano precisa saber ou dominar para viver dentro da estrutura social que aí está; mas devemos perguntar-nos o que está predisposto nesse ser e o que pode ainda ser desenvolvido. Assim, será possível, sempre, acrescentar à estrutura atual o que fazem dela os seres integrais que nela ingressam, e não se fará, da geração que vem crescendo, o que a estrutura social vigente quer fazer dela.

Rudolf Steiner

O PAPEL DO EDUCADOR

Não há, basicamente, em nenhum nível, uma educação que não seja a auto-educação. […] Toda educação é auto-educação e nós, como professores e educadores, somos, em realidade, apenas o ambiente da criança educando-se a si própria. Devemos criar o mais propício ambiente para que a criança eduque-se junto a nós, da maneira como ela precisa educar-se por meio de seu destino interior. 

Rudolf Steiner

O educador exerce o papel de observador cuidadoso e atento, assim como de exemplo de ser humano ativo e consciente. 

As crianças vivenciam atividades primordiais da humanidade que demandam esforço, empenho e envolvimento, construindo noções de temporalidade e edificando hábitos de zelo, cuidado e ligação com o fazer.

Cabe ao educador, que deve buscar uma profunda compreensão antropológica e pedagógica do processo evolutivo do ser humano, criar o ambiente que atenda às necessidades da criança. Seu papel na educação infantil é visto como de extrema importância e até mesmo decisivo para toda a vida do indivíduo. A primeira fase da vida é o fundamento, o primeiro degrau sobre o qual se edifica todo o desenvolvimento futuro. Isto requer uma ampla formação do educador em todos os âmbitos. 

Como a educação da criança do primeiro setênio apela essencialmente para a imitação, o educador, como exemplo, deve ter a capacidade para uma autêntica auto-crítica e força de vontade para a auto-educação.

Os educadores devem trabalhar em conjunto com as famílias, pois é uma meta básica fazer com que os pais acompanhem de perto o desenvolvimento de seus filhos. Escola e família devem trabalham conscientemente para a formação harmoniosa das crianças.

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