Páscoa

A páscoa no contexto Waldorf

Num jardim Waldorf as crianças entram em contato com o sentido espiritual da Páscoa que é o de transformação, resignificação através de imagens. Contos de fadas como Chapeuzinho Vermelho, O Lobo e os Sete Cabritinhos, entre outros, abordam a vitória da vida sobre a morte.

Porém as imagens que mais claramente se vinculam à idéia de vida, morte e ressurreição são as da lagarta, do casulo e da borboleta. A lagarta é um ser que se arrasta pelo solo, pesado, lento. Quando já se alimentou o suficiente, fecha-se num casulo, onde morre para renascer como uma linda, leve e clara borboleta. O coelho e os ovos também possuem um significado especial nas comemorações pascais. O ovo representa uma vida interior, ainda em estado germinal, que se desenvolve, rompe uma casca dura e em seguida desabrocha em sua plenitude, assim como Cristo ressurrecto saiu de sua tumba. O coelho, por sua vez, representa um animal puro, que não agride. Desta forma ele é digno de carregar e trazer os ovos da Páscoa. Além disso, é um animal muito fértil, que se reproduz com facilidade. Neste aspecto podemos encontrar ainda resquícios daqueles antigos cultos pagãos, que veneravam a fertilidade.

Nos dias de hoje, porém, num mundo extremamente consumista, onde as pessoas vivem constantemente sem tempo, a Páscoa, assim como as outras festas anuais, não é encarada sob um ponto de vista espiritual. Na maioria das vezes, não vivenciamos a possibilidade de deixar morrer em nós o que não queremos mais, o que já não nos serve, e também não permitimos que o novo em nós possa florescer.

Porém, todo educador deveria ter claro dentro de si a possibilidade da vida, morte e ressureição em hábitos, atitudes e modos de pensar, para tornar-se uma pessoa cada vez melhore, menos endurecida e insensível diante da realidade atual, com seus constantes altos e baixos. Se tivermos consciência da necessidade de cada um realizar este exercício interior, poderemos preparar coerentemente nossas crianças para a época da Páscoa e apresentar a elas símbolos repletos de significados. Só assim estaremos resgatando o real sentido da páscoa.

Fragmento do texto de Anna Maria M. Karassawa.

2020

Quando nós, professores, nos preparamos para vivenciar uma época, pensamos e buscamos cada detalhe para conviver durante algumas semanas com as crianças.

Buscamos músicas, gestos, imagens, trabalhos, muitos trabalhos que possam trazer para elas o sentido da época, que possam ajudá-las em seu desenvolvimento, motor, individual, social e espiritual.

Essa páscoa trouxe um novo desafio para o professor infantil: passar e confiar essa tarefa aos pais. Trazer para eles o essencial, mas, principalmente, desvendar o que não é segredo, que o que as crianças mais precisam elas encontram nesses pais, na proteção e confiança do lar.

Certamente, esse tempo de reclusão não será esquecido pelas crianças. Possivelmente, essas crianças nunca tiveram os pais presentes por tanto tempo como agora. Sabemos que nem tudo são flores… Temos sempre desafios, mas foi muito gratificante enquanto professores e comunidade, receber dos pais a cada semana como estavam conquistando ritmo, e o que as crianças iam produzindo e vivenciando durante essas semanas.

Surgiram lagartas em pequenas árvores, histórias foram contadas para os filhos, alguns adormeceram durante a história (mas não tem problema amanhã podem ser contadas novamente), outras crianças sentiram-se protegidas depois de ouvir as histórias, outras reconheceram na natureza os mesmos movimentos ocorridos nas narrativas e, espantem, se reconheceram na atual situação de reclusão e demostraram confiança no futuro, porque o seu presente está sendo alimentado de confiança de que o mundo é bom.

Vimos sementes brotarem, lagartas entrarem em casulos nas janelas ou em árvores, muitos ovos pintados, que mais pareciam um jardim na primavera.

De repente, surgiram coelhinhos e borboletas muitas borboletas, grandes, pequenas e coloridas. E por fim a caça aos ovos e a alegria se fez nesse dia, podendo também presentear amigos e parentes.

Nessa páscoa pudemos vivenciar no casulo que representa nossas casas, esse movimento de contração tão significativo para a época e para o conhecimento interior, seja individual, familiar ou social. Este último, inclusive, está com o contato físico adormecido, onde vive uma força vital, que atua nesse corpo na busca de uma transformação, de um renascimento que virá e trará a luz do Sol Crístico, neste domingo de Páscoa, através de um novo amanhecer.

(O texto foi escrito pelas professoras Isabel Lima e Isabella Maia. As fotos foram tiradas pelas famílias do Jardim Semear)

Conto sobre a páscoa

O Coelho da Páscoa (conto russo)

Era uma vez um Papai Coelho e uma Mamãe Coelho, que tinham sete filhos. Então quando chegou a Páscoa, queriam saber qual dos seus filhos seria o verdadeiro coelho da Páscoa. A mãe foi buscar uma cesta com sete ovos e cada filho pode escolher um.

O mais velho dos coelhinhos logo pegou o ovo dourado, correu pelos campos, subiu e desceu morros, chegou ao Jardim de Infância e, com um grande salto, tentou chegar ao outro lado do portão. Como estava com muita pressa não mediu bem o salto e caiu, quebrando o ovo. Este, com certeza, não era o verdadeiro coelho da Páscoa.

O segundo filho escolheu o ovo prateado e se pôs a caminho. Quando chegou ao campo encontrou a raposa. A raposa desejava muito ter o ovo de prata e perguntou se o coelho não daria de presente. Mas isto o coelho não queria. Então a raposa prometeu-lhe uma moeda de ouro em troca do ovo e o levou até a sua toca. Ali escondeu o ovo de prata, escancarou o seu focinho como se fosse devorar o coelho e, este, assustado, fugiu deixando o ovo de Páscoa com a raposa. Este, com certeza não era o verdadeiro coelho da Páscoa.

O terceiro coelho escolheu o ovo vermelho e se pôs a caminho. Quando passava pelos campos, encontrou outro coelho e pensou: “ainda tenho tempo vou brincar de luta com este coelho”. Os dois coelhinhos lutaram bastante e quando o nosso coelhinho lembrou-se do ovo vermelho, este estava quebrado e amassado. Este, com certeza, não era o verdadeiro coelho da Páscoa.

O quarto coelhinho escolheu o ovo verde e se pôs a caminho. Quando passava pela floresta, a gralha ladrona o avistou do alto de uma árvore e gritou:-Olha a raposa! Olha a raposa!O coelho, assustado, olhou ao seu redor e procurou um lugar para esconder o ovo verde. Então a gralha disse:
-Eu escondo o ovo para você.
O coelhinho deu o ovo à gralha que o guardou em seu ninho. Agora percebendo que não vinha nenhuma raposa, pediu o ovo de volta à gralha, mas esta respondeu:
-O ovo está bem no meu ninho.Este, com certeza, não era o verdadeiro coelho da Páscoa.

O quinto coelho escolheu o ovo cinza e se pôs a caminho. Atravessando a floresta chegou a um riacho e quando estava atravessando a ponte viu a sua imagem refletida na água e ficou tão encantado com ela que não conseguiu continuar o caminho. De tanto se mirar no espelho d’água esqueceu o seu ovo cinza e este caiu partindo-se em uma pedra. Este com certeza não era o verdadeiro coelho da Páscoa.

O sexto coelhinho escolheu o ovo de chocolate e se pôs a caminho. Mais a frente encontrou um esquilo e este queria muito provar o ovo de chocolate, mas o coelhinho disse:
-Este ovo é das crianças do Jardim de Infância.
Porém, o esquilo pediu tanto que o coelhinho cedeu. O ovo estava tão gostoso que o coelhinho não resistiu e os dois lamberam o ovo até acabar o chocolate. Este com certeza, este não era o verdadeiro coelho da Páscoa.

O mais novo dos coelhinhos escolheu o ovo azul. Correu pelos campos, pelos morros, e pela floresta. Ali encontrou a raposa, mas nem ligou para ela. Continuou seu caminho.
Encontrou o outro coelho que queria brincar de luta, mas o nosso coelho não aceitou até chegar na floresta da gralha ladrona. Esta logo exclamou:
– Lá vem a raposa!
Mas o nosso coelhinho nem deu ouvidos aos seus gritos.
Ao esquilo disse que o ovo seria das crianças do Jardim da Infância e continuou seu caminho.
Quando chegou ao riacho não parou para mirar-se no espelho d’água.
Chegando ao portão do Jardim de Infância, tomou a medida do salto a dar, saltou e chegou ao outro lado do muro sem quebrar o ovo.

Este sim era o verdadeiro coelho da Páscoa.

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Material para época de Páscoa